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Cintura Fina é Cidadã Honorária de BH

Iza na Câmara Mandato-Movimento

Cintura Fina é Cidadã Honorária de BH

Aconteceu nesta sexta-feira, 17 de dezembro, a solenidade de entrega do título de Cidadã Honorária à Cintura Fina, em condição post mortem. A indicação parte da vereadora Iza Lourença (PSOL/BH), com o objetivo de resgatar a memória dessa que é precursora da luta LGBTI+ na cidade, um símbolo de resistência ao conservadorismo e de ocupação dos espaços públicos, caso que revela muitas das contradições do desenvolvimento de Belo Horizonte nas décadas de 1950 a 1970.

“Cintura é parte da história da cidade, do seu desenvolvimento, e como tal deve ser conhecida. Essa é uma forma de honrar sua memória e de tantas mulheres trans e travestis que resistem nesta cidade. Vamos contar a verdadeira História de BH”, defende Iza.

Entrega do título de cidadã honorária foi feita de forma simbólica para Cristal Lopes

História

Aos 20 anos, Cintura Fina começa sua trajetória em Belo Horizonte, em 1953. Travesti, negra, cearense, pobre e órfã, Cintura foi cozinheira, faxineira, lavadeira, gerente de pensão, profissional do sexo, alfaiate, cabeleireira e gari. Uma figura ambígua e vibrante, aprendeu a se defender da transfobia permanente que sofria utilizando navalhas. Foram muitas as situações em que recorreu a essa arma contra seus agressores. Foi dessa forma que ganhou a alcunha de “rei da navalha” pela imprensa. “Cintura foi resistência em uma sociedade conservadora, no país que mais mata pessoas trans no mundo, cuja expectativa de vida é de 35 anos”, conta Iza. Cintura morreu em 18 de fevereiro de 1995, aos 62 anos.

No final da década de 1990, sua história ficou conhecida nacionalmente através da minissérie Hilda Furacão, da TV Globo. Recentemente, a disponibilização da minissérie na plataforma Globoplay acendeu uma polêmica por sua personagem ter sido interpretada pelo ator Matheus Nachtergaele, um homem branco e cis. Também pela publicação do livro Enverga, mas não quebra: Cintura Fina em Belo Horizonte, escrita pelo pesquisador Luiz Morando.

Indicação

De acordo com Iza Lourença, a imprensa da época construiu uma lenda ao redor da história de Cintura, em geral, criando e reproduzindo estigmas e violências contra a sua figura. “Cintura teve sua vida e imagem exploradas de forma cruel. Quando a imprensa dizia que a violência era uma constante em sua vida, deveria ter dito da violência que ela sofria por ser quem era. Essa estigmatização reforçada na abordagem da mídia da época justificava, também, a violência do Estado contra ela, e legitimava as políticas de criminalização e higienização para controle social do nosso povo”, destaca.

E completa: “As várias prisões de Cintura por vadiagem demonstram que, em última instância, o Estado estava lhe dizendo: ‘você não tem direito de circular por aí! Esta cidade não é sua! Você não é sujeito, você não é nada’. Cintura foi uma sobrevivente, um símbolo de luta e resistência, e figura importantíssima na luta LGBTI+ da cidade e do país! Concedê-la esse título reconhecerá sua importância na luta pela cidadania e garantia de direitos na cidade, além de fazer justiça à forma criminosa como foi tratada quando viveu por aqui”, finaliza Iza.

Por mandato, cada vereador pode indicar pessoas de contribuição relevante para a história da cidade para serem nomeadas como cidadãs honorárias. Para a nomeação ser concretizada, a indicação precisa de dois terços das assinaturas de líderes de bancadas e blocos de vereadores.

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